E por falar em ditados...
Quando eu era criança, minha avó Carolina, uma italiana franzina e porreta, a quem chamávamos de nona, sempre que queria expressar alguma ideia ou pensamento saia com um ditado popular. E nós crianças achávamos o máximo, ainda mais que ela entremeava palavras em português com italiano. E foi crescendo ouvindo esses ditos populares que encerram uma ideia ou pensamento que aprendi a brincar com as palavras e não raro de uma miscelânea surge um texto assim:
Estava aqui a pensar com meus botões, mas como se diz por aí, a pensar morreu um burro. Diante desse dilema me vejo refletindo. Nem tanto ao mar, nem tanto a terra, pois mais vale prevenir do que remediar. Se a situação diz que quem procura acha então antes tarde do que nunca devagar se vai ao longe. E melhor ir os aneis do que se perder os dedos visto que contra fatos não há argumentos. Já que a pressa é inimiga da perfeição há de se convir que a sorte de uns é azar de outros. E quanto mais rezo mais assombração me aparece, resolvo não deixar para amanhã o que posso fazer hoje. E assim vou levando sem eira nem beira, pois águas passadas não movem moinhos. E como água mole em pedra dura tanto bate até que fura, insisto no argumento que cada cabeça uma sentença. E por acreditar que cada maluco com sua mania cutuco a onça com vara curta para saber se jacaré que fica parado vira bolsa. E como estamos em tempos de crise a cobra vai fumar se eu insistir nessa bravata pois ninguém dá ponto sem nó e um dia a casa cai. E vou parando por aqui uma vez que é difícil agradar a gregos e troianos.
Malu Pedarcini



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