segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Índio com necessidades recebe atenção dos jovens

Texto e foto de Gelinton Batista

Um grupo de jovens da Pastoral da Juventude visitou na tarde de domingo (20) o Centro Cultural Indígena de Maringá para realizar o “Natal+Feliz”. No espaço moram índios que estudam na universidade e famílias que saem da aldeia para vender artesanato na cidade. Há quatro anos os jovens escolhem um local humilde para, com abraços e sorrisos, recordar o nascimento de Jesus e levar o espírito do Natal.
Na chegada, os jovens cumprimentaram os adultos, entregaram cartões com mensagens natalinas, abraços e balas para as crianças. Enquanto isso, outra parte do grupo preparou uma mesa com frutas, bolos e salgados. “Nosso objetivo não é entregar presentes, mas sim o que está em nosso coração, que é o amor, o carinho e a atenção”, revela o coordenador do grupo, Rafael Vinicius de Araújo.
Tímidos, aos poucos os indígenas não resistiram à acolhida e o convite para partilhar os alimentos levados pelos jovens. O momento foi de troca de experiências, jovens e índios adultos e crianças comendo na mesma mesa e se conhecendo.

Elisângela, uma índia kaingang que está temporariamente no centro indígena para vender artesanato na cidade, disse que ficou feliz com a visita dos jovens. Questionada se gosta de sair da aldeia, respondeu, com a cabeça, que sim. O motivo é “porque vocês vêm aqui”, explicou. Mas a índia fez questão de deixar claro que “viver na aldeia é melhor”.
Após a refeição, a integração continuou com brincadeiras, como vôlei e uma partida de futebol. Na disputa entre os jovens da cidade e da aldeia, apesar do placar apertado, quem levou a melhor foram os índios, 8 gols contra 7.
Já era tarde quando os jovens se despediram dos novos amigos e anunciaram mais um gesto de solidariedade. O grupo ficou sabendo que os índios têm necessidade de roupas e se comprometeu a retornar antes do natal para entregar as doações que conseguirem.

Onde Jesus nasceria?

Coordenador da Pastoral da Juventude na paróquia Nossa Senhora da Liberdade, de Maringá, Rafael Vinicius de Araújo, diz que a escolha do local para realizar o “Natal+Feliz” surge após uma reflexão sobre o nascimento de Cristo.
“Foi na cena de uma periferia que nasceu uma pessoa que trouxe a salvação para nós . Então a gente se pergunta onde Jesus nasceria em Maringá nos dias de hoje. Por isso neste ano escolhemos esta comunidade indígena, um local esquecido, onde vivem pessoas que ainda sofrem com preconceito”, explica.
De acordo com o índio guarani Claudinei Marcolino, cerca 25 pessoas, entre adultos e crianças, moram na área. Boa parte são estudantes universitários que ficam na cidade até completar os estudos.
O centro, localizado em um mata no km 170 da BR 376, também conta com casa para abrigar por um período curto, em média 15 dias, outras famílias que saem da aldeia para vender artesanatos na cidade. “Depois eles retornam para a aldeia e outro grupo vem para ficar aqui até vender o artesanato”, esclarece Marcolino.

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