sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Poderia ter sido diferente

Foto: Malu Pedarcini
Na tropa de elite da política, ele seguramente seria o Capitão Nascimento, em virtude do seu estilo belicoso de ser. Mas talvez hoje Paulo Bernardo não fosse ministro se tivesse conseguido viabilizar a sua candidatura a presidente do Sindicato dos Bancários de Londrina no finalzinho dos anos 80. Ele pertencia a um dos trocentos grupos de esquerda que se abrigavam no PT. Era uma colcha de retalhos, PCBR, LIBELU, Trotkystas, igrejeiros e até trabalhadores mesmo. Na hora da formação da chapa a correlação de forças não lhe foi favorável e ele dançou. No embalo do corporativismo de seus colegas de trabalho no Banco do Brasil, e aproveitando a onda sindical, pós redemocratização saiu candidato a deputado federal em 1990, ganhou e foi reeleito em 1994. Nos oitos anos de Câmara se especializou em orçamento, modalidade que havia sido alvo de corrupção violenta, obra de João Alves e seus anões. Em 1998, Paulo não consegue a reeleição e é convidado a ser secretário da Fazenda no Mato Grosso do Sul e fica por lá até 2000 quando é resgatado ao Paraná, pelo seu ex-desafeto político dentro do PT, Nedson Micheletti, que numa das maiores zebras que se tem notícia na política, é eleito prefeito de Londrina. Paulo assume as finanças da prefeitura, quebrada como sempre após cada gestão do populista Antonio Belinati. Em 2002, Bernardo é eleito deputado federal novamente, mas no meio do mandato Lula o convoca para ser ministro do Planejamento, cargo que ele ocupa também no segundo mandato do torneiro presidente. Em 2010 ele abre mão de uma reeleição garantida para ajudar a coordenar a campanha vitoriosa de Dilma.
Não é verdade que Paulo seja um cara estressado o tempo todo, assim como também é mentira que ele não é fiel aos companheiros que o acompanham. Ele nunca os deixou na mão.  Agora será ministro das Comunicações e um passarinho me contou que será por pouco tempo. Tempo somente de popularizar a banda larga e moralizar os Correios. Depois ele volta para o Palácio. Dilma precisa de um trator a seu lado e ele tem nome e sobrenome: Paulo Bernardo.
Eu não duvido.

Antonio Santiago

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