segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Perdeu quem ganhou, ganhou quem perdeu

De Ricardo Kotsho
Pelo jeito, está finalmente chegando aos últimos capítulos esta novela mexicana da volta de Ronaldinho Gaúcho ao Brasil, como se ele fosse a última coca-cola do deserto, ou a princesa mais bela do baile, na definição de Paulo Vinicius Coelho, o PVC, na sua coluna deste domingo na Folha.
A história do leilão encenado por Ronaldinho e Roberto Assis, seu irmão e agente, é tão inacreditável que, no final das contas, inverteram-se os papéis dos clubes na disputa por seu passe. Perdeu quem ganhou, ganhou quem perdeu.
Sim, em primeiro lugar ganhou o Milan, que “perdeu” Ronaldinho, ou melhor, se livrou deste ex-craque em atividade, levando ainda 4 milhões de dólares, metade do valor da multa. Em segundo lugar, ganharam o Grêmio e o Palmeiras, os outros dois clubes brasileiros que estavam dispostos a pagar o que não tinham para ficar com o rei das baladas.
Só perdeu o Flamengo, um clube que está falido há tempos, e vai pagar ao jogador mais de 1 milhão de reais por mês, durante três anos e meio, fora os prêmios por títulos e classificação do time para a Libertadores.
A melhor definição do imbroglio foi dada por Salvador Hugo Palaia, vice-presidente do Palmeiras: “Uma palhaçada. Nem se fosse o Pelé poderia fazer isto. Os dois (o jogador e o irmão) deveriam montar um circo”. 
De fato, desde a Copa de 2006, na Alemanha, Ronaldinho está mais para malabarista de circo do que para jogador de futebol de alta performance.  Com todo respeito à querida torcida do Flamengo, acho que o rubro-negro vai gastar uma fortuna para comprar apenas mais um problema ao custo total de mais de 40 milhões de reais.

Em tempo:

Como tudo pode acontecer nesta novela, agora só falta Ronaldinho desistir, depois de tudo 99,9% acertado entre o Flamengo, o Milan e o seu agente-irmão, como o iG informou no sábado. É o único jeito do Flamengo não perder.

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