terça-feira, 3 de maio de 2011

Recanto poético

Ausência (Carlos Drummond de Andrade)

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.

4 comentários:

Anônimo,  3 de maio de 2011 às 20:39  

Na realidade,AUSÊNCIA,não significa indiferença,mas um amor maior,no reencontro...como ele diz: ninguém a rouba mais de mim.
Bjka!

josé roberto balestra 4 de maio de 2011 às 00:01  

Simplesmente lindo! Drummond era um escultor de palavras, com a argamassa da alma...

Lubélula 4 de maio de 2011 às 12:41  

Caracas! Escultor de palavras é você Balestra. Seria desrespeitoso chama-lo de você? Se for o Senhor queira desculpar-me. Pra língua portuguesa o verbo é a palavra da palavra. Pra mim frases como essas é que são a palavra da palavra, pois contém a alma das palavras.

LOYRA*SP 5 de maio de 2011 às 23:06  

Esse é o cara, né? Também.. nascido no mesmo dia em que eu... só podia dar nisso!

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