A Arquitetura e a sustentabilidade
Por Edgard Georges El Khouri*
Muito tem se falado atualmente sobre sustentabilidade, tema que virou praticamente assunto obrigatório em várias áreas que se interrelacionam com o conceito, seja da própria biologia/agronomia, como da arquitetura e construção civil e, pasmem, palavra que é até mesmo usada erroneamente em rodas de economia.
Mas vamos nos ater ao tema que iremos abordar, a arquitetura. E antes de tudo, há que se afirmar claramente: os resíduos gerados pela construção civil respondem por cerca de 30% do volume total no mundo, o que é um verdadeiro absurdo. Pouco desses resíduos são reaproveitados atualmente, o que contribui negativamente para a escassez dos aterros apropriados para este fim, sem é claro mencionar quando esse “entulho” é jogado no fundo de rios, em ruas mais afastadas.
Os motivos que geram tamanho absurdo vão desde a falta de planejamento no canteiro de obras como o uso inapropriado de materiais, muitas vezes induzidos por lobby de indústrias da construção civil, e até mesmo por modismos de “tendências” de mercado.
A boa e verdadeira arquitetura tem uma enorme responsabilidade neste processo, pois se baseia em princípios fundamentais geralmente esquecidos nos dias de hoje. A correta interpretação do terreno é primordial quando se vai implantar um edifício comercial ou residencial, pois obedece além da orientação solar uma interpretação dos ventos e clima locais, definindo forma e materiais a serem utilizados e que propiciam conforto térmico aos seus ocupantes em qualquer época do ano. Uma correta modulação propicia economia para o bolso do cliente, assim como um índice muito menor de resíduos gerados, sem necessidade inclusive de contratação excessiva de caçambas para tal.
Devem-se prever também quais e onde se localizam os fornecedores dos materiais, devida e corretamente escolhidos, pois o transporte também gera poluição (emissão de gases provenientes do diesel ou gasolina, por exemplo), e custos do frete para o cliente. Dessa forma, costuma-se adotar um raio máximo de 100 km de distância do local da obra. Os benefícios começam a ficam claros, não?
Complementarmente, alguns equipamentos associados podem e devem ser usados, como aquecedores d’água por energia solar e reaproveitamento de águas pluviais, sendo que hoje em dia ambos estão disponíveis em escala industrial e a preços competitivos, e que trazem benefícios econômicos diretos em médio prazo. E em curto prazo para a natureza, pois estamos falando de água, seja a que gera energia elétrica quanto à consumida nas edificações em geral. O mesmo raciocínio deve ser empregado quando pensamos de que forma é produzido um elemento na construção.
Ao arquiteto cabe essa responsabilidade, que é saber interpretar aquilo que o cliente deseja, dentro de seu contexto cultural e regional, e traduzir todo esse programa e necessidades num projeto de residência ou estabelecimento comercial condizente com esses preceitos, com bom gosto e sempre oferecendo alternativas efetivas de sustentabilidade, tema extremamente amplo e digno de defesa por parte de toda a classe.
*Edgard Georges El Khouri é arquiteto e urbanista



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