sábado, 7 de novembro de 2009

Carlos Marighella, o mito

Em 1964, mais precisamente em maio, um cara ousou gritar contra a ditadura militar. Encurralado em um cinema no Rio de Janeiro os policiais atiram, mas com os gritos de “Abaixo a Ditadura Militar Fascista! Viva a Democracia!”, ele resiste denunciando as atrocidades do regime. Revolucionário intemerato dizia que sua força vinha mesmo era da convicção política, da certeza de que a liberdade não se defende senão resistindo, como tão bem descreveu no livro "Por Que Resisti à Prisão".
Esse baiano, militante do Partido Comunista do Brasil (PC do B), carregava outras prisões no seu currículo. Na juventude foi preso (1932 e 1936), e durante 23 dias, enfrentou as torturas da Polícia Especial de Felinto Muller. Após ser solto mudou para São Paulo e iniciou a reorganização dos que lutavam contra a ditadura de Getúlio Vargas.
Em 1939, é preso novamente e pega seis anos de isolamento em Fernando de Noronha. Em 1945 é anistiado e é eleito deputado pelo Estado da Bahia. Mas a alegria dura pouco, pois o governo do presidente Dutra cassa-lhe o mandato. A partir daí cai na clandestinidade, mas não se afasta das lutas políticas. Foi o fundador da Ação Libertadora Nacional - ALN, que partiu para a luta armada, iniciando a guerrilha urbana. Por isso foi considerado o “inimigo nº 1 do regime militar”.
Sua trajetória de lutas terminaria no dia 4 de novembro de 1969, ao sofrer uma emboscada em São Paulo, quando foi executado em ação coordenada pelo delegado Sérgio Fleury.

Malu Pedarcini

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