Elas se foram
Elas chegaram juntas com o verão. Alegres. Em bando, milhares, fugindo do frio de suas terras. Falavam em seu idioma, todas ao mesmo tempo, uma verdadeira algazarra sonora, que com certeza elas entendiam muito bem. Durante meses, elas foram minha companhia, nas manhãs quentes e ensolaradas do parque Alfredo Nyffeler, em minhas caminhadas, em fuga da vida sedentária. Eu sabia que um dia me deixariam, afinal elas têm uma casa, um país. E para minha tristeza esse dia chegou. Assim como vieram, se foram. De repente. Em bando, milhares, fugindo do frio que se aproxima. Hoje, já sem a presença delas, fiquei a pensar. Como elas sabem a hora de partir? Quem dá a ordem da saída? Como elas saem juntas na mesma hora? Não sei, e talvez nunca saiba. Mas com certeza elas são bem mais organizadas que os animais “racionais”. No ano que vem elas estarão de volta. Nem todas, é verdade, pois muitas se perderão pelo caminho. Nada diferente de nós seres humanos. Eu espero estar aqui para recepcioná-las, as minhas amigas andorinhas.
Antonio Santiago



3 comentários:
O Osti tem razão. Voce saiu do armário, cara!
Realmente, as andorinhas fazem um belo espetáculo
Esse é o Santiago que eu conheci.
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