terça-feira, 5 de julho de 2011

Energia da biomassa, uma solução brasileira

Por Wanderley Dantas dos Santos*

Os ancestrais humanos já faziam uso da bioenergia mesmo antes do surgimento do Homem moderno (Homo sapiens). Os fósseis do Homo habilis, um ancestral do Homem que habitou a África há cerca de 2 milhões de anos, deve seu nome às evidências de que tinha refinadas habilidades que permitiram que dominasse diversas tecnologias, inclusive o fogo. As vantagens da utilização do fogo foram, muito provavelmente, fundamentais para a sobrevivência e evolução do Homem. O fogo tornou disponível a energia de proteínas e carboidratos que não estão prontamente acessíveis em alimentos crus, ampliando o valor nutricional dos alimentos. Além disso, o fogo era uma ferramenta poderosa para proteger contra o frio, a escuridão e, sobretudo, dos predadores e inimigos. Posteriormente, o homem moderno utilizaria o fogo para fundir ferramentas de bronze e de ferro, fundamentais para lavrar a terra para a produção agrícola e fazer surgir as primeiras civilizações (é bem verdade que também fez as armas para destruí-las...).

Embora ainda represente uma importante fonte de energia para siderurgia (e para o churrasco), após a revolução industrial a biomassa (lenha) perdeu espaço para o carvão mineral e petróleo e hoje responde por apenas 10% da energia total consumida no mundo. A queima de biomassa sólida tem aplicações limitadas. Combustíveis líquidos (como gasolina, diesel, querosene) são muito mais convenientes para o transporte e uso em pequenas máquinas como automóveis, navios e aviões. Porém, a queima destes combustíveis de origem fóssil, enterrados há centenas de milhões de anos está provocando o aumento nas concentrações do CO2 atmosférico e o aquecimento global. A solução é produzir biomassa líquida (como metanol, biodiesel e etanol) a partir da biomassa sólida (açúcar, bagaço, madeira).

Na década de 1920, uma usina de açúcar de Alagoas começou a produzir etanol para uso nos automóveis da época. Havia até postos de combustível, onde o etanol era trazido em tonéis de madeira. O petróleo ainda não havia roubado a cena. De fato, o motor de combustão interna que que usamos hoje nos automóveis (motores de ciclo Otto) foi originalmente concebido para rodar com etanol. O petróleo foi uma surpresa inesperada e seu preço convidativo logo extinguiu a precoce indústria bioenergética Brasileira. Mas na década de 1970, após a guerra do Yon Kippur entre árabes e israelenses (apoiados pelo ocidente), o preço do barril de petróleo atingiu níveis insuportáveis devido ao embargo dos países exportadores de petróleo (OPEP) aos EUA e Europa ocidental, como retaliação.

Para enfrentar a crise, o governo brasileiro lançou um programa para produção de etanol em larga escala, a partir da cana-de-açúcar. O Pró-álcool, como foi chamado, acabou se revelando uma solução revolucionária. Muitos países adotaram programas similares para induzir a produção de etanol utilizando também outras fontes da açúcar como beterraba, milho e sorgo. Em geral, devido à produção ser menor que a demanda, o etanol é misturado à gasolina e oferecido como combustível alternativo. Atualmente, muitos governos tem programas visando a adição obrigatória de etanol à gasolina em diversas percentagens denominadas E10 (10% de etanol), E20 (20% de etanol), e assim por diante. Hoje, graças ao Pró-alcool, o Brasil se destaca como o primeiro país em que o consumo de etanol superou o da gasolina (2008), graças aso veículos capazes de rodar com quaisquer misturas de gasolina e álcool, até álcool puro (E100) ou hidratado e onde já não é possível comprar gasolina pura nos postos de combustível, apenas E20 ou E25.

*Wanderley Dantas dos Santos - Bioplan- Laboratório de Bioquímica de Plantas - Departamento de Bioquímica - UEM

5 comentários:

Anônimo,  5 de julho de 2011 às 21:58  

Parabéns!!! Muito boa matéria,bem informativa.

Bjka!

Allan 6 de julho de 2011 às 15:55  

Esse é o meu garoto! Parabéns! Como sempre, textos claros e elucidativos. Já te disse que você tem futuro como divulgador, pense nisso.

Abraço drúxulo.

Anônimo,  6 de julho de 2011 às 15:56  

Esse é o meu garoto. Parabéns! Já te disse que você pode ser um ótimo divulgador científico.

Abraço Drúxulo

illhelio 27 de julho de 2011 às 11:17  

claro, sucinto e informativo
interessante !
gostei

illhelio 27 de julho de 2011 às 11:18  

claro, sucinto, informativo
interessante !
gostei

  © GAZETA MARINGAENSE O PORTA-VOZ DA COMUNIDADE. template Configurado por Carlos Jota Silva 2010

Voltar ao TOPO