domingo, 10 de janeiro de 2010

Agreste

Ouvem-se gritos e sussurros
Vozes abafadas e tristes
São os homens trabalhando
Na construção da represa.

Faces sombrias de seres esquálidos
Pele queimada do sol
Pergaminho de sangue e veias
Mãos calejadas, olhos ressequidos
Carregam amores, desejos e dores.

Ninguém os escuta
São como vermes revirando a terra seca e árida
Sentem fome e sede
Entretanto, nada disso importa
Seu alimento é a persistência
E a coragem de lutar pela vida.

Quase noite,
Termina mais um dia de trabalho
Lá vão eles, caminhando em fila
Silenciosos
Guardando as últimas energias para o dia seguinte
Continuarão vivendo
Mas...
Até quando?

Malu Pedarcini

3 comentários:

Paulo,  10 de janeiro de 2010 às 21:33  

Temos uma poetiza no blog também? linda, vcs formam uma excelente dupla, Parabéns!

Celene,  10 de janeiro de 2010 às 22:34  

Malu, uma poesia profunda e de um alto cunho social.linda.

Carla,  11 de janeiro de 2010 às 09:11  

... Malu tu consguiste perfeitamente mostrar o retrato de um povo tão amargurado... sofrido e humilhado... mas um povo que labuta... trabalha e persiste... e continua sua sobrevivencia através da esperença e fé em dias melhores... parabéns...

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