quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

A estrela Dalva


Nasceu Vicentina Paula de Oliveira, nome simples de menina pobre, filha de uma portuguesa e um mulato. Herdou do pai, o alegre Mário de Oliveira, mais conhecido como Mário Carioca, o gosto pela música. Ele era marceneiro, mas nas horas vagas tocava saxofone como ninguém. Desde criança já dava duro na vida, seja ajudando a mãe que fazia salgadinhos para vender ou na labuta da casa, lavando e passando. Aos oito anos perdeu o pai, e a mãe, dona Alice, resolveu se mudar para a capital, São Paulo. Junto com suas três irmãs foi para um orfanato dirigido por irmãs de caridade. Lá teve o primeiro contato com o piano, o órgão e o canto. Mas, em razão de uma séria infecção nos olhos, foi obrigada a sair do orfanato e trabalhar como arrumadeira, como babá e ajudante de cozinha em restaurantes. Mais tarde conseguiu um emprego de faxineira em uma escola de dança onde havia um piano e, dona de uma poderosa voz, iniciou sua carreira. Aquela voz, tão conhecida nos anos 40 e 50 que ia do contralto ao soprano.
Adotou o nome Dalva, por sugestão da mãe e mudou-se com a família para o Rio de Janeiro em 1934, pois na época, a cidade era a capital federal e lá tudo acontecia, inclusive os grandes shows nos cassinos. Lá foi trabalhar como costureira numa fábrica de chinelos. Um dos proprietários da fábrica era Milton Guita, conhecido como Milonguita, diretor da Rádio Ipanema e ela foi convidada para fazer um teste na emissora do patrão.
Foi aprovada e atuou ao lado de estrelas como Noel Rosa, Jararaca e Ratinho, Alvarenga e Ranchinho, Ema D'Ávila, Diamantina Gomes e Antônio Marzullo.
A dupla Preto e Branco veio na sequência. Com o cantor Nilo Chagas e o compositor Herivelto Martins, começou uma das suas fases mais brilhantes. O trio, mais tarde, denominado Trio de Ouro, abriu definitivamente as portas do sucesso para Dalva de Oliveira. Casou-se com Herivelto, com quem teve dois filhos, Pery (também cantor) e Ubiratan.
O relacionamento entre eles foi conturbado nos treze anos que durou o casamento. Entre tapas e beijos, viveram juntos até 1947, quando o casamento acabou, mas o Trio de Ouro ainda resistiu e só se desfez em 1949.
Teve outras relações conturbadas, com o argentino Tito Climent, que passou a administrar sua vida, levando-a para o exterior. Cantou até para a rainha da Inglaterra.
Aos 47 anos, um novo amor, Nuno de 19 anos.
Em 1965 uma tragédia viria marcar a vida da cantora. Um acidente, com o saldo de três mortes, e uma grande cicatriz no rosto da estrela Dalva. Mas os tempos eram outros, e já não se ouvia mais a voz da diva nos programas musicais. Sua vida daria uma novela de folhetim. No final da vida, poucos a reconheceriam andando de ônibus pela cidade.
A rainha da voz que espalhava um rastro de luz, luz da estrela Dalva, deixou de brilhar em agosto de 1972, quando voltou para a sua galáxia.

Malu Pedarcini

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